Caixa de Correio

Caixa de Correio é um projeto artístico de arte postal que parte da circunstância de haver uma pequena vitrine em cima da caixa de correio do nosso estúdio.

Saudosos da materialidade e fisicalidade das comunicações e dos encontros, aproveitámos esta circunstância arquitectónica na fachada do nosso estúdio para desafiar as amigas e amigos artistas que vivem fora de Portugal, a enviarem-nos uma carta, a ser exposta ao público. Pedimos que a carta com a obra dentro, chegue completa no envelope que deverá caber na medida de 3cm de altura por 24cm de largura da boca da nossa caixa. Do envelope se desdobra algo que partilhamos com quem passa na rua. Para além de materialidade, há um certo imediatismo no gesto de abrir o envelope e logo mostrar o seu conteúdo. A obra viaja, atravessa espaço, e quando chega, passa a estar numa montra. Assim que chega outra carta, muda-se a montra, mas cada carta fica pelo menos três semanas, ou mais – se não chegar mais nenhuma missiva. Dada a luz que bate na montra, a obra poderá degradar-se, desbotar, tornar-se menos visível, e na verdade essa “degradação” ou “operação de mudanças” interessa-nos. Tanto o viajar como o ficar quieto pode motivar mudança interior, e este momento que vivemos de diminuição drástica dos re-encontros com quem está longe, bem como da viagem enquanto processo, obrigou-nos assim a pensar em novas formas de estar, e de valorizar circunstâncias como sentir o calor de uma pedra em que nos sentamos, ou sentir o peso, a textura e a temperatura de uma pedra que agarramos na mão. Falamos ainda e sempre de coisas, de objetos, cartas, e de como carregam sentimentos de pertença.

Motiva-nos para levar a cabo esta Caixa de Correio a simplicidade do projeto e do gesto artístico que lhe está na origem, atentar na generosidade de quem envia, exaltar a efemeridade, a mutabilidade e a proposta de circularidade, que opera na obra de alguém que nos é próximo, que passa de mão em mão até chegar até nós, à nossa caixa de correio, onde é aberta e exposta aí mesmo, sem as condições típicas ou ótimas para mostrar uma obra de arte. É como criar cá dentro um mapa, das nossas relações lá fora. Projeto low-tech esta Caixa de Correio não só homenageia a chamada Mail Art ou Arte Postal, como está atenta à materialidade das coisas, e à sua promessa de aproximação às pessoas.

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Desenho da montra | Drawing of the window
Caixa de Correio – Dentro | Caixa de Correio – Inside

Mailbox

Caixa de Correio (Mailbox) is a Mail Art project that starts from the circumstance of having a small window on top of the mailbox in our studio.
Longing for the materiality and physicality of communications and meetings, we took advantage of this architectural circumstance on the façade of our studio to challenge our artist friends who live outside Portugal to send us a letter, to be exhibited to the public. We ask that the letter with the work inside, arrive complete in the envelope that should fit within the 3cm height by 24cm width of the mouth of our box. From the envelope unfolds something that we share with those who pass by on the street. Beyond materiality, there is a certain immediacy in the gesture of opening the envelope and then showing its contents. The work travels, crosses space, and when it arrives, it is shown in a window. As soon as another letter arrives, the window is changed, as long as 3 weeks of exhibition are respected. Each letter is shown for three weeks, or more – if no other letter arrives. Given the light hitting the window, the work may degrade, fade and become less visible, and indeed this “degradation” or “changing operation” interests us. Both traveling and staying still can motivate inner change, and this moment we live in of a drastic decrease in re-encounters with those who are far away, as well as in traveling as a process, has thus forced us to think of new ways of being, and of valuing circumstances such as feeling the warmth of a stone we sit on, or feeling the weight, texture, and temperature of a stone we hold in our hand. It’s all about things, objects, letters, and how they carry feelings of belonging.
Mailbox is about the simplicity of the project and the artistic gesture that is at its origin, it means paying attention to the generosity of the sender, exalting the ephemerality, the mutability, and the proposal of circularity that operates in the work of someone close to us, that passes from hand to hand until it reaches us, our mailbox, where it is opened and displayed right there, without the typical or optimal conditions to show a work of art. It is like creating a map inside, of our relationships outside. A low-tech project, this Mailbox not only pays homage to Mail Art, but is also attentive to the materiality of things, and their promise to bring people closer together.

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